Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), BB (BBAS3) e Santander (SANB11): quem saiu na frente? Veja os destaques dos balanços

19/02/2026
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Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), BB (BBAS3) e Santander (SANB11): quem saiu na frente? Veja os destaques dos balanços

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 escancarou diferenças entre os grandes bancos brasileiros: enquanto Itaú e Bradesco reforçaram lucro e rentabilidade, Santander e Banco do Brasil encerraram o período sob pressão, com sinais de deterioração do crédito e maior cautela do mercado com a qualidade das carteiras.


No geral, os números sugerem que a disputa por eficiência e controle de risco deve seguir determinando quem entrega resultados mais consistentes em 2026, em um ambiente ainda marcado por juros elevados e crescimento moderado da economia.


Itaú (ITUB4)

O Itaú apresentou resultados considerados robustos e acima das expectativas para o trimestre, com lucro líquido recorrente recorde de R$ 12,3 bilhões, consolidando-se como o destaque entre os grandes bancos no período.


A rentabilidade, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), ficou em 24,4%, mantendo ampla vantagem frente aos principais concorrentes.


A carteira de crédito expandida atingiu cerca de R$ 1,49 trilhão, com crescimento puxado principalmente pelas linhas voltadas a PMEs (pequenas e médias empresas) e pelo avanço do crédito imobiliário, mantendo a expansão em ritmo consistente no trimestre.


Para este ano, o Itaú projeta um crescimento de lucro de 9% na comparação anual, o que levaria o resultado a um novo recorde, próximo de R$ 51 bilhões.


Mas a Genial acredita que o banco tem potencial para superar essa projeção, com avanço de lucro em patamar de dois dígitos, diante da combinação de uma posição de capital confortável, execução consistente ao longo dos ciclos de crédito e múltiplas frentes de crescimento e rentabilidade.


A casa também destaca que o Itaú deve seguir com distribuição elevada de dividendos, com expectativa de repassar aos acionistas cerca de 70% do lucro, além de uma possível expansão adicional da rentabilidade, com ROE em 25% em 2026.


Para a Genial, a combinação entre consistência de resultados, resiliência ao longo dos ciclos de crédito e momento operacional favorável sustenta a expectativa de que o banco seguirá entregando uma rentabilidade superior à dos concorrentes nos próximos anos.


Os especialistas Eduardo Nishio e Ygor Bastos, da Genial, recomendam compra para as ações preferenciais (ITUB4), com preço-alvo em R$ 53, destacando a elevada rentabilidade e o potencial de valorização das ações no médio prazo.


Bradesco (BBDC4)

O Bradesco fechou o último trimestre de 2025 com mais um avanço na recuperação dos resultados. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões entre outubro e dezembro, crescimento de 5% em relação ao trimestre anterior e alta de 20,6% na comparação anual, vindo levemente acima do que o mercado projetava.


A melhora também apareceu na rentabilidade, com o retorno sobre o patrimônio (ROE) subindo para 14,9%, avanço de 0,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 1,5 ponto percentual em relação ao fim de 2024.


Para a Genial, o desempenho reflete um conjunto de fatores, como aumento de receitas, melhora na qualidade e na composição do crédito e maior disciplina no controle de despesas.


Com esse ritmo, o banco conseguiu alcançar uma rentabilidade acima do custo de capital ainda no fim de 2025, algo que a própria administração vinha sinalizando como uma meta mais provável apenas ao longo de 2026.


Na leitura dos analistas, o resultado mostra que a reestruturação tem caminhado mais rápido do que o previsto.


O Bradesco também divulgou projeções para 2026 indicando crescimento de lucro e continuidade do avanço da rentabilidade, com ROE em 15,3%. A Genial, porém, vê espaço para o banco entregar números melhores do que o indicado, especialmente se conseguir acelerar o corte de custos e avançar no processo de modernização da operação.


Na avaliação da casa, o Bradesco segue negociado a preços atrativos, mesmo após a alta recente, com múltiplos considerados baixos em relação ao histórico e aos pares. Com isso, a recomendação é de compra para as ações preferenciais (BBDC4), com preço-alvo de R$ 25.


Santander (SANB11)

O Santander abriu a temporada de balanços dos bancos com um resultado dentro do esperado em termos de lucro, mas com sinais de piora na qualidade da carteira.


O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 4,09 bilhões no período entre outubro e dezembro de 2025, alta de 1,9% em relação ao trimestre anterior e de 6% na comparação anual, praticamente em linha com as projeções do mercado.


A rentabilidade ficou praticamente estável, com ROE de 17,2%, ainda distante do patamar próximo de 20% que o banco busca alcançar.


A carteira de crédito expandida cresceu pouco, com avanço de 2,8% frente ao trimestre anterior e de 3,7% na comparação anual, totalizando R$ 714,9 bilhões, ritmo inferior ao crescimento médio do sistema bancário.


Ainda assim, a Genial observa que houve desempenho melhor em algumas frentes, como cartões, financiamento de veículos e crédito para pequenas e médias empresas, compensando parcialmente a retração no consignado.


Do lado negativo, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,7%, com alta de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 0,5 ponto percentual na comparação anual.


Apesar dos pontos de atenção, a Genial avalia que o Santander segue em um processo de recuperação gradual, apoiado nas mudanças estratégicas adotadas nos últimos anos e em uma postura mais conservadora, que ajudou o banco a atravessar o ciclo de crédito com maior controle de custos.


Na visão dos analistas, essa estratégia tende a permitir uma retomada mais eficiente quando o ambiente macroeconômico se tornar mais favorável.


Por isso, mesmo com o resultado considerado abaixo do ideal em termos de qualidade, a Genial mantém recomendação de compra para units do Santander (SANB11), com preço-alvo de R$ 40,40.


Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil (BBAS3) fechou a temporada dos bancões com um resultado ainda pressionado pela deterioração do crédito, especialmente no agronegócio, mas com números ligeiramente acima do que o mercado esperava.


O banco reportou queda de cerca de 40% no lucro líquido ajustado na comparação anual, refletindo um ano marcado por aumento expressivo das perdas com inadimplência e revisão sucessiva das projeções ao longo de 2025.


Segundo Victor Bueno, sócio e analista de ações da Nord Investimentos, o principal ponto do balanço foi o comportamento do custo do crédito, indicador que representa o volume de recursos separado pelo banco para cobrir possíveis calotes.


No quarto trimestre, essa linha ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas teve um salto de 94% na comparação com o mesmo período de 2024, confirmando a pressão crescente sobre a carteira do BB.


Apesar disso, a margem financeira bruta, que reflete a receita gerada com juros, apresentou melhora e cresceu pouco mais de 5% em relação ao trimestre anterior, ajudando a sustentar o resultado final.


No acumulado de 2025, o Banco do Brasil encerrou o ano com lucro próximo de R$ 20,7 bilhões, queda de 45% frente a 2024 e bem abaixo do que o próprio banco esperava no início do ano, quando trabalhava com uma projeção entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões.


A inadimplência segue como o principal ponto de preocupação do banco. O indicador de atrasos acima de 90 dias subiu para 5,17%, acima do trimestre anterior e muito superior ao nível de 3,16% registrado no fim de 2024.


Conforme explica Bueno, o aumento continua sendo puxado pela carteira de agronegócio, que atravessa um período difícil com juros elevados, preços de commodities agrícolas em patamar mais baixo e aumento de pedidos de recuperação judicial entre produtores.


Mesmo com o cenário adverso, a rentabilidade mostrou alguma reação, com o retorno sobre o patrimônio (ROE) ficando em 12,4% no quarto trimestre, acima dos 8,4% registrados no trimestre anterior. No acumulado do ano, o ROE fechou em 11,4%, nível ainda considerado fraco para os padrões históricos do banco, mas acima do que parte do mercado projetava.


Para 2026, o Banco do Brasil indicou expectativa de lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, o que implicaria crescimento de 6% a 26% em relação a 2025.


Na avaliação do analista da Nord, no entanto, ainda é cedo para assumir uma recuperação firme, já que o cenário do agronegócio segue incerto e deve continuar pressionando os resultados no início do ano.

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